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Minha horta, minha vida: tudo aquilo que você queria saber sobre ela

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Em fevereiro de 2015 eu tentei dar os primeiros passos para ter uma horta.  Foi um total fracasso. Era uma área medindo cerca de 3×2 próximo de uma mangueira onde batia uns raios de sol que na minha cabeça parecia ser  um bom local para se cultivar algo, pois era uma terra preta e fofa. Mas acompanhada dessa bela aparência vieram também as formigas que conseguiram matar um pé de manjericão, pimenta-biquinho e ainda uns ramos de tomilho e alecrim que eu estava tentando  transformar em uma muda.  Para a minha sorte não cheguei a transferir todos os pés de manjericão e pimenta-biquinho dos vasos que eu já tinha antes porque tinha o receio que a horta não vingasse.

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Mas o meu fracasso não foi o suficiente para frear minha vontade de ter horta. Em agosto passado eu aproveitei meus 20 dias de férias do trabalho e me desafiei mais uma vez a colocar a mão na enxada. Foi aí que nasceu o meu projeto #20diasdehorta lá no instagram, onde eu registrei todo o meu processo, o qual ainda está em andamento.

Os meus motivos

Antes de explicar todo os passos dados para fazer a horta, eu acho importante contextualizar  aqui (no vídeo também faço isso) sobre os motivos que levaram a querer ter uma. Eu realmente gosto de cozinhar e sempre busco ingredientes frescos e mais naturais possíveis para fazer as minhas comidinhas. Só que o pré-preparo de uma refeição envolve (ou pelo menos deveria envolver) tempo para ir à feiras, supermercados para comprar ingredientes e de uns tempos pra cá eu estava me frustrando repetidamente com as opções da cidade porque o  alto preço de alguns legumes e ervas me parecia  injusto. Seria a tão falada crise que o pato da FIESP fala? 😆

Talvez tenha dedo dela, mas a questão é que não é de hoje que legumes e verduras em Manaus são caros e muitos desses não vêm de outros Estados pra justificar o alto valor. Mas deixando de lado os critérios que os empresários adotam para precificar os seus produtos, o que eu achava chato mesmo era pagar caro por um legume ruim, quase estragado e cheio de agrotóxico. Nessa saga toda eu acabava perdendo tempo demais catando legume bom e depois de um tempo só de imaginar ter que fazer isso todo final de semana, eu já me enchia de preguiça. Resumindo, eu fiz a horta também por preguiça de ter que sair de casa para fazer feira.

Essa preguiça acabou me levando ao segundo motivo que tem a ver com ideologia. À medida que a gente vai envelhecendo, a gente passa a se questionar sobre alguns valores. De uns tempos pra cá eu tenho crisado bastante com a questão do consumo e pensado como somos levados a comprar qualquer besteira inútil o tempo todo.   Só que eu não quero mais fazer dessa roda consumista e recomendo fortemente que você leia os textos sobre lowsumerism do Ponto Eletrônico para entender um pouco sobre o que tem movido as minhas atitudes mais recentes que acabaram cruzando com um eu da adolescência que amava o do it yourself do movimento punk.

O terceiro motivo  está relacionado com memória afetiva. Minha mãe sempre gostou de plantar e não é à toa que 90% das plantas do quintal foram todas cultivadas por ela. Lembro vagamente que quando eu era criança tinha até umas plantinhas (um pé de onze horas) pelo quintal, mas o fato é que desde lá eu nunca mais plantei nada. Então, eu queria voltar a cultivar algo agora já consciente dos meus atos porque acho que já tava mais do que na hora de revisitar um pedaço do meu passado.

Mãos na terra

Agora que você já sabe o que me levou a querer ter uma horta, vou te explicar como fiz a minha. Depois de quebrar a cara na primeira tentativa, já estava mais safa e em agosto, mês das minhas férias, eu comecei de fato o #20diasdehorta. Havia uma outra área no quintal com mais ou menos do mesmo tamanho da horta fracassada que não tinha formigas e que batia sol direto durante a manhã, mas que à tarde diminuía bastante. Parecia ideal para o que eu precisava. Mas como é comum no solo amazônico, não era um solo bom para plantar hortaliças, que normalmente se adaptam melhor em terra preta.

Logo, tive que ir atrás de terra preta na que eu considero a melhor floricultura de Manaus, a Chácara Belo Jardim, pois tem uma variedade bem grande de suprimentos para jardins e muitas plantas à venda. Foi lá que comprei meu pé de pimenta-biquinho que morreu na horta fracassada. De quebra, há vários gatos espalhados pela chácara e só por esse motivo já vale a visita. Lá eu comprei 10 sacos de 10 quilos de terra preta, que totalizaram R$ 120,00. Fora isso eu acabei comprando também um regador e uma pá de mão.

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Comprei sementes lá, mas também comprei em algumas lojas que ficam na região do porto de Manaus que vendem materiais para agricultura. Optei por comprar sementes sem defensivos da Isla e da Feltrin, onde cada pacotinho custou em média R$ 2,00. Todas as sementes vem com instruções de plantio no verso da embalagem e isso ajuda muito porque eu nem imaginava quanto tempo levaria para começar a crescer a planta e, além disso, tem uma tabela de época de plantio. Foi justamente esse critério que me ajudou a escolher as sementes que comprei (tomate, couve americana, manjericão limoncino, rúcula, pimentão verde e alface), pois todas indicavam que agosto era uma época boa para se plantar.

Feitas todas as compras, chegou o momento de colocar a mão na terra e suar muito.  Comecei com o cercado que foi feito de um PVC que tinha no quintal e só fiz cortá-lo com a tesoura mesmo, pois ele  já era bem velho. O tamanho do cercado ficou em aproximadamente 1,5 m x 90 cm. Para apoiar a cerca usei estacas de madeira que foram fincadas na terra e algumas pedras e tijolos para apoiar, afinal  gambiarra é inteligência também.

Depois de ter construído toda a estrutura da cerca, transferi os sacos de terra para dentro do cercado. Foi um pouco pesado, mas nada que qualquer pessoa saudável não possa fazer. Daí em diante, arei a terra com um ancinho  e reguei em seguida. Na hora de semear fiz um buraco de cerca de 3 cm de profundidade e coloquei as sementes. Após 2 dias de semeadura, já começou a brotar as primeiras folhinhas de rúcula. Foi amor puro.

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Como eu já estava traumatizada com a minha primeira tentativa de horta, eu busquei outras formas de germinação além da terra. Foi aí que eu me lembrei daquela experiência básica que quase todo mundo passa na aula de Ciências: sementes em algodão umedecido. Deu super certo, inclusive foi apenas no algodão que eu consegui fazer germinar as sementes de alface. Se por acaso você não passou por essa experiência no primário e não faz ideia do que eu estou falando, consiste basicamente em umedecer o algodão em água, depois coloca as sementes em cima e em seguida coloca em algum local escuro. Daí é só ficar de olho que depois de mais ou menos 2 dias, as sementes começam a germinar.horta_gordirce3

Cuidados básicos e dificuldades

Não é difícil ter uma horta, pois ela precisa basicamente de água e sol. Se tem uma coisa que somos bem servidos em Manaus é de sol, então isso eu nem precisava me preocupar. Mas em compensação o sol forte é tenso para as plantinhas novas, então eu tomava um cuidado extra na hora de regar. Durante duas vezes ao dia (de manhã cedo e final da tarde) eu regava todo o canteiro. Além disso, de vez em quando eu arrancava algum matinho intrometido que costuma nascer e absorver nutriente da terra e isso não é legal para as plantas que você quer que cresça.

Minha horta poderia ter sido um sucesso absoluto se não fosse as pragas que apareceram no caminho. Os grilos foram uma delas e percebi que eles amam manjericão. Vi várias folhinhas furadas por eles e confesso que eu até deixava porque eu tenho muito manjericão e acho que ele podia até afastar outra praga mais perigosa. Mas o pior mesmo foram as colchonilhas que atacaram meus lindos tomateiros  de tal forma que não sobrou nenhum. Elas são uns bichinhos parecidos com flocos que se alojam no caule e folhas da planta e passam a sugar toda a seiva delas, o que faz com elas enfraqueçam e morram. O pior foi que elas apareceram justamente durante uma semana que estive viajando e deixei a horta sob cuidados do meu sobrinho que regava diariamente. Quando voltei de viagem eu percebi que elas estavam lá, mas fui bem babaca e demorei para fazer o remédio natural que serve para combatê-las.

Com exceção do manjericão limoncino, todas as sementes que plantei germinaram. O pimentão que foi plantado ao lado do tomateiro  não desenvolveu tanto e até agora só deu um fruto. Mas as demais estão indo super bem. Em breve, volto a falar mais sobre os “frutos” da horta com muitas fotos para você ter noção de como eles se saíram.  Por enquanto, assista o vídeo que eu falo sobre a minha horta e não se esqueça de se inscrever no meu canal. Se ficar com dúvidas, escreve aqui nos comentarios.  😉


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