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Como foram meus 21 dias sem carne

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Há uma semana eu terminei o meu desafio 21 dias sem comer carne e o objetivo desse post  é relatar um pouco como foi a experiência. Não lembro ao certo como descobri o desafio, mas acho que foi através de postagem do Facebook. Assim que vi, não pensei muito e fui logo me cadastrando e foi assim que eu entrei nessa: num impulso. De certa forma, esse impulso foi bom porque talvez se eu tivesse pensado mais, teria desguiado do desafio e começado a pensar mais nas dificuldades do que nas possibilidades.

O mecanismo do desafio

Apesar de entender que “sem carne” inclui ovos e leites, eu ainda tinha a esperança de que o desafio permitisse esses itens, pois no site não deixava claro que seria vegano ou pelo menos eu não percebi. Mas quando os emails com as dicas chegaram, não tive dúvidas que a policia vegan imaginária que eu criei na minha cabeça iria andar ao meu lado durante o desafio. Durante os 21 dias eu recebi muita informação que iam desde notícias com dados sobre o consumo de carne e seus malefícios, dicas de nutricionista, links para seguir os padrinhos do desafio (que ignorei completamente), links para documentários que falam sobre a indústria da carne e as receitas veganas.

De todas essas dicas que eu recebi, as que mais gostei foram os links das notícias sobre o consumo da carne e os links dos documentários, porque como eu já deixei claro aqui, eu gosto muito de documentários. Entre os filmes indicados, estão o Cowspiracy, A carne é fraca e 101 razões para torna-se vegano. São todos vídeos bons que te fazem refletir e, consequentemente, se sentir mal por comer carne.

No desafio

Comer verduras não é nenhuma dificuldade para mim. Com exceção de quiabo e maxixe, gosto muito de hortaliças e grãos e adoro cozinhar e testar coisas novas. Cozinhei muito durante o desafio, mas teve alguns dias que  não consegui por causa da rotina atribulada e falta de tempo. A solução que encontrei para isso foi comer em restaurantes, mas Manaus, bem como outras cidades do Brasil, ainda precisa de boas (e acessíveis) opções  para o público vegano, porque essa galera definitivamente não come só alface.

Quando eu fui em alguns restaurantes, acabava sempre encontrando mais do mesmo: saladas cruas. Daí só me restava combinar com feijão e arroz. Isso me fez pensar em como somos acomodados por comermos carne, porque as verduras sempre entram no cardápio como acompanhamento e não como prato principal. Logo nos primeiros dias do desafio, era meio que automático olhar para o prato e já ter a impressão de que eu ficaria com fome por não ter ali um pedaço de carne. Mas com o tempo eu percebi que era apenas costume mesmo, pois quando eu terminava de comer, ficava satisfeita.

Bons achados

Apesar da dificuldade em encontrar alternativas que saíssem do mais do mesmo salada +feijão+arroz, acabei descobrindo uma opção que me ajudou durante o desafio: a Same Same Igual, mas diferente. Criada pela Talita Benício, que se descobriu celíaca já adulta e precisou mudar toda sua vida e rotina alimentar, a Same Same traz em seu cardápio comidas para quem é intolerante à lactose, glúten e para veganos. Foi lá que eu acabei pedindo uma focaccia de tomate seco e manjericão deliciosa que acabou em menos de 15 minutos quando eu levei para casa A massa era tão leve e fofa que se desmanchava fácil na boca e taí um bom exemplo de como é possível variar um lanche que não precisa ter queijo ou manteiga para ficar gostoso.

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Além da focaccia, experimentei ainda da Same Same a compota de banana, uma pasta de grão-de-bico, e até um queijo de mandioca! A compota de banana é essa da foto que parece um açaí, de sabor doce como uma geléia, mas sem ser enjoativa. Grão-de-bico é uma coisa que eu preciso aprender a trabalhar, porque só o cheiro dele de molho já não me agrada muito, mas em compensação a pasta de grão-de-bico era bem suave e passei no pão nos dias seguintes. Já o queijo vegano de mandioca também foi uma agradável surpresa, tanto pelo fato de ter encontrado na cidade para vender, quanto pelo sabor.  Por enquanto a Same Same está trabalhando só por encomendas. O cardápio é divulgado semanalmente pela fanpage e daí os pedidos podem ser feitos por lá ou através do fone (92) 98214-2403.

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Achados nem tão bons assim

Tirando a farofa de conserva do Chão de Estrelas, eu não sou muito fã de enlatados. O principal motivo é que desde que passei por uma reeducação alimentar no ano passado e passei a consumir mais comida de verdade, tudo que é processado parece que ficou com um gosto e textura de sebo. Mas na reta final do desafio, eu decidi experimentar alguns enlatados veganos. Consegui achar no Pare & Leve (melhor local para se comprar grão em Manaus) alguns produtos que comprei por um preço que poderiam ser mais amigos. Foram 4 produtos, onde 3 eram da marca Superbom: Vegan Meat (desfiado ao molho de tomate), Bife Vegetal, Maionese vegetal e Filé de Soja empanado, este último da marca Sora.

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O primeiro que experimentei foi o Vegan Meat e foi o único que talvez eu pudesse consumir novamente se o preço fosse mais barato. Se não me engano, paguei um pouco mais de R$ 14,00 na lata de 400 gramas. Era bem suculento e lembrava muito carne tanto em sabor, quanto em aparência. Utilizei ele duas refeições e ainda fiz dois sanduíches com ele, ou seja, até que rendeu muito pelo preço que paguei.

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O Bife vegetal custou cerca de R$ 11,00 e achei que ele poderia ser um pouco melhor. A textura lembra as conservas comuns que encontramos por aí, mas o sabor eu já não curti tanto, porque me pareceu insosso e mesmo depois de cozido, ainda tinha um certo gosto de cru. Não volto a comer.

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Quando eu fiz o sanduíche com a Vegan Meat, aproveitei para usar a maionese vegetal da Superbom que comprei por R$ 5,95. O sabor é praticamente o mesmo das  maioneses comuns. A única diferença que percebi foi na textura que achei menos densa. Aprovada, voltaria a comer.

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O último processado que experimentei foi o filé de soja empanado da Sora, que custou R$ 3,65  e achei..péssimo. Mesmo sabendo que as fotos de comida são pura ilusão, eu ainda alimentei a ideia de que seria gostoso porque a foto da embalagem era bem animadora. Segui todas as instruções de preparo (deixar hidratando antes de temperar), mas não deu para achar bom porque parecia que eu estava comendo uma esponja. Nunca mais.

Mudanças no corpo

Umas das coisas que eu percebi que mudou em mim foi a pele. Naturalmente, minha pele é mega oleosa, parece que vivo com óleo de peroba e, por isso, eu preciso lavar umas três vezes por dia para que ela relaxe um pouco e eu fique com menos cara de quem acabou de correr atrás do ônibus. Quando se tem a pele oleosa, é quase certo que ela crie cravos e no meu caso, eu preciso dar sempre um grau no final de semana. Mas durante o desafio eu não tive esse problema, porque ela melhorou muito e fiquei bem surpresa porque eu não esperava que tivesse esse efeito tão imediato.

Além disso, perdi algumas medidas também e voltei a usar algumas roupas que já não entravam mais em mim. Então pesquisando sobre perda de peso e veganismo, acabei descobrindo que quando a Beyonce quer afinar um pouco, ela segue uma dieta vegana chamada 22daysnutrition, que me lembrou muito o desafio.

E o futuro?

Pelo que eu percebi nas redes sociais da organização do desafio, o objetivo dele era fazer com que as pessoas se tornassem veganas. Vi algumas repostagens mostrando pessoas que aderiram o desafio e no final elas diziam que iam continuar com o estilo de vida. Bem, eu não sou uma delas. Desde que decidi enfrentar o desafio, meu objetivo nunca foi me tornar vegana, mas sim conhecer novos sabores e a ideologia vegana, que vai além de dieta.  Não tenho nem como discordar dos motivos que levam a maioria das pessoas a se tornarem veganas, porque eu entendo eles e admiro quando as pessoas seguem e vivem aquilo que acreditam, mesmo que isso cause estranheza para a maioria. Durante esse curto período, acabei sentindo um pouco disso com algumas pessoas ao meu redor. Algumas magicamente “viraram” nutricionistas e começavam a me dar dicas de alimentação, ou lembravam uma história de algum conhecido que mesmo sendo uma pessoa que comia muitas verduras acabam morrendo do mesmo jeito que um carnívoro morria. Enfim, escutei muita besteira da boca alheia que fez valer muito bem a frase de que o inferno são os outros.

Mas voltemos ao fato de não me tornar vegana depois do desafio e o porquê disso. Me conheço o suficiente para saber que eu fraquejaria toda vez que visse um peixe assado ou qualquer comida com carne que tivesse valor afetivo pra mim e até mesmo quando não tivesse nada pra comer além de um ovo frito. O que eu penso em fazer daqui por diante para diminuir minha culpa pelo sofrimento dos animais é continuar fazendo aquilo que eu já fazia: procurar ao máximo saber a procedência dos alimentos que consumo. Não tenho mais como financiar rede de fast food que eu sei que nunca vai abrir mão do lucro para ao menos dar uma vida mais digna para os animais. Não tenho mais como continuar comprando frango de uma empresa que cria circunstâncias absurdas para que o pequeno avicultor continue endividado. Tem muita gente se dando muito bem explorando os outros e ainda que meu dinheiro não faça a mínima diferença para eles, eu quero ter a sensação de que eu fiz a minha parte.

Há algumas coisas que eu decidi fazer também para ao menos diminuir o consumo de carne. Já comecei a fazer a minha horta e em breve quero criar galinhas para consumir os ovos de uma forma que eu creio que seja ética. Penso também em alternar semanas de alimentação vegana e onívora, mas isso eu quero ver com cuidado e com a supervisão de uma nutricionista para que eu não meta o pé pelas mãos. Enfim, apesar de não ter me tornado vegana, eu quero pelo menos mudar alguns hábitos que deixe o meu mundo com menos cara de inferno dos outros.


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