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O Mercado: comida de feira, mas nem tanto

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Aconteceu no último final de semana a tão aguardada edição manauara da feira gastronômica O Mercado, idealizada pelo chef Chencho Gonzales em parceria com Henrique Fogaça. O evento fez parte do projeto Passo a Paço, realizado pela Prefeitura de Manaus, que tem como objetivo promover a reocupação do centro histórico da cidade através da difusão cultural, coisa que alguns grupos independentes já haviam tentado antes. O local escolhido para a primeira etapa do projeto foi a Praça Dom Pedro II, conhecida popularmente como Praça das Putas, pois durante muitos anos o local foi um ponto de prostituição na cidade.

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Teve gente que mesmo nascida aqui não sabia onde era a praça e os que sabiam já ficaram com medo de ir ao local, o que é até compreensível já que o poder público ignorou durante muitos anos a área e de certa forma isso acabou influenciando a população. Apesar do esquecimento, a Praça Dom Pedro II ainda guarda o charme da Manaus antiga e esperamos sinceramente  que os olhos da gestão pública continuem olhando por lá (bem como para outras áreas da cidade) e já que  o objetivo era ocupar o local, ele foi alcançado com êxito. Durante os dois dias do evento, mais de 10 mil pessoas frequentaram a feira e puderam saborear as opções disponíveis que os 35 chefs locais levaram. Nossa equipe esteve lá e conta em seguida um pouco sobre a passagem:

Dirce Quintino: busca por sabores regionais

Fui nos dois dias da feira. Ao chegar no evento fiquei surpresa com um esquema de revista a la Lollapalooza,o que acabou afastando o medo de ser assaltada por lá, até porque no decorrer do evento eu avistei bastante segurança na área, o que me deixou mais tranquila e a partir daí comecei, ao lado da Carol Simermam, a transmitir em tempo real o evento pelo Periscope no primeiro dia. Sim, saímos um pouco da bolha Instagram/seguidores/likes/hashtag e inovamos com mais essa ferramenta para deixar o conteúdo mais abrangente. Segue @gordirces por lá, pois vamos usar mais vezes.

Antes de chegar à feira, dei uma olhada no cardápio e achei legal que tinha bastante opção de pratos com alimentos regionais e  usei esse parâmetro para escolher o que comeria por lá, além de (claro!) ir nas barracas do Chencho e do Fogaça. Lá na barraca do jurado do Masterchef comi uma das melhores coisas da feira. Sanduíche simples, mas muito saboroso com um pão super macio parecido com o manteiguinha  e molho suave e suculento. Custou R$ 18,00, achei meio caro porque todo sanduíche que custa mais de R$ 15,00 é caro pro meu bolso, mas era bem gostoso.

Sanduíche de cupim na manteiga de garrafa e pimenta de maracujá do Sal Gastronomia

Em seguida experimentei a Lasanha Amazônica do Toque Gourmet que a Carol comprou por R$15.00. Essa lasanha era feita com uma massa artesanal que levava jambu, velouté (molho) de tucupi e pirarucu fresco, ou seja, quase todos os ingredientes básicos do tacacá. Deliciosa, veio quentinha e fiz questão de levar pra casa também no segundo dia do evento.

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Lasanha Amazônica do Toque Gourmet

Depois bebi o chopp Rio Negro Trigo do Beer Trailer. Demorou um pouco para sair por causa da alta carbonatação e não estava tão gelado quanto gostaria que estivesse, mas ainda assim curti, quis beber novamente no seguindo dia, mas desanimei com a fila enorme na frente do trailer. O copo de 300 ml era vendido por R$ 5,00.

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Chopp Rio Negro de Trigo do Beer Trailer

Na sequência fui atrás do Palito de Bodó com molho de pimenta com cubiu do Café da Floresta, que era vendido por R$ 12,00. Bodó é um peixe cascudo que tem uma carne meio amarelada  e dá um trabalho na hora de descascar para daí comer a carne que é um pouco escassa. Todas essas particularidades do peixe despertaram a minha curiosidade para experimentar essa variação, pois antes eu só havia comido cozido com caldo. Acho a carne dele meio insossa por natureza e talvez seja por isso que achei o palito do mesmo jeito. A porção que eu comprei veio frita demais e o molho também não consegui achar memorável. Foi interessante experimentar o peixe além de uma forma que eu já conhecia, mas não foi o bom o suficiente para querer comer mais vezes.

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Palito de Bodó com molho de pimenta com cubiu

Depois belisquei a Panqueca com doce de cupuaçu servida com sorvete de creme e calda de caramelo da Banana Amazônica que o Deivison comprou por R$ 12,00. Após receber uma camada sutil de açúcar, a panqueca recheada com doce de cupuaçu era “maçaricada” para então adicionarem a calda e o sorvete.  O azedume do cupuaçu foi balanceado com o doce do caramelo e do sorvete, e fez do prato uma das coisas mais gostosas que comi na feira pois era suave, refrescante e delicioso. Ainda provei a banana amazônica servida na barraca, comprada pela Carol pelo mesmo preço, mas era doce demais pro meu gosto.

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Panqueca com doce de cupuaçu

No segundo dia, meu foco foi para a barraca da Comedoria Gonzales, do Chencho, que vendia dois tipos de ceviche: de camarão em açaí e de peixe em maracujá, custando respectivamente R$ 17,00 e R$ 15,00.  Escolhi o primeiro, porque eu adoro camarão. A porção era até justa (aprendam barracas locais!) e combinado com o camarão vinha suco de açaí, suco de limão, pimenta, coentro, cebola e farinha d’água, que ficou perdida ali no meio de tanta coisa, mas essa mistura resultou um um sabor bem agradável ao paladar.

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Ceviche de camarão com açaí

Em seguida provei o Ceviche de peixe em maracujá, suco de limão, papaia verde, hortelã, cebola e sagu de coco, comprado pelo meu amigo Lincoln. Era bom, mas ficou aquém do esperado.

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Ceviche de peixe em maracujá

Fechando a minha passagem pelo evento, parei na barraca do Tambaqui de Banda e fui de Fish and Chips. Vendida por R$ 12,00,  a iguaria surgiu na época da Copa do Mundo e permanece até hoje no cardápio do restaurante, onde já tinha comido antes, então não tive medo de errar na escolha. Porção justa, gostosa e fácil de se comer em pé, ou seja, tem tudo a ver com  a proposta da feira, que deverá ocorrer novamente em outubro.

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Fish and Chips do Tambaqui de Banda

Netto Pantoja: valores questionáveis

Quando saí de casa em direção à feira “O Mercado”, não sabia muito bem o que fazer, ou melhor… Não tinha a menor ideia do que eu poderia comer lá. O que eu tinha em mente era “ok, você precisa provar coisas boas e sair com a sensação de que não gastou muito”.

Esse ponto, inclusive, me deixou um pouco pensativo depois. A maioria dos pratos disponibilizados no evento marcavam o valor máximo daquele anunciado pela Prefeitura, ou seja, R$ 18. Lógico que as porções vieram reduzidas e não eram servidas como nos restaurantes, mas é um ponto que deve ser debatido com os empresários futuramente. Afinal, o que vai ser servido é uma amostra ou o prato?

Pois bem. Eu andei bastante até escolher o que eu comeria, e acabei optando por um bolo de pote de leite Ninho da Gaby Harb. A porção custou R$ 15. Sou suspeito pra falar porque sou um fanático por leite Ninho, então gostei bastante da criação. No meio sentia uma textura cremosa de doce de leite, e também havia camadas de bolo. Bem gostoso e a porção pode ser considerada “generosa”.

De resto, belisquei a comida dos amigos mesmo, pois naquela altura o evento já estava lotado e as filas se cruzavam. Comi uma paleta de pistache da Gusta Paleteria e um penne ao molho de camarão e ervas finas do Buona Massa. Em relação à paleta, fiquei bem satisfeito com o tamanho e o sabor é ótimo, recomendo! O penne também estava muito bom e os chefs preparavam a massa na hora, ou seja, saía tudo bem quentinho.

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Beer Trailer

Antônio Junior: fui  pela cerveja

A minha ida ao Mercado foi apenas para beber as cervejas que alguns quiosques estavam oferecendo, principalmente o Beer Trailer. Todas as cervejas eram de panela, 100% caseiras e servidas como chopp, exceto as do Andrew que eram na garrafa. Lá eu tomei a Bambaré IPA que custou R$10, a Orleison Pilsen Mandioca  que também foi R$10, fiquei na vontade de tomar a Andrew Stout, mas parece que não ficou pronta a tempo. No quiosque do ”Chef em Casa” experimentei os chopps de trigo e premium da cervejaria Rio Negro,  cada um custando R$ 5,00 e no mesmo quiosque comi um sanduíche de rosbife que custou R$ 8,00 reais.

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Cheers!

Todas as cervejas estavam boas, claro que num copo de plástico não se aproveita tudo que uma cerveja oferece. Destaco a IPA que tava bem aromática, com um amargor na medida que até as pessoas que nunca experimentaram esse estilo iriam gostar. Fica a minha esperança de que uma dia tenha um festival desses só que em vez da comida, a cerveja seja a protagonista. #Buurrrp


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