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Sorria, mas você precisa comer na Bahia

1 O paraíso da comida baiana. Foto: Dirce Quintino

Ahhh a Bahia…Terra imortalizada nos livros de Jorge Amado e famosa por sua peculiar gastronomia carregada de sabores fortes, resultado de uma mistura da culinária africana, indígena e portuguesa. Estive recentemente e por apenas quatro dias em Salvador, capital da Bahia, e aproveitei o curto tempo para degustar o que a Bahia oferece. E como diz o ditado “Sorria, você está na Bahia”, eu era só sorrisos pra provar tudo que esse lugar podia me dar.

Ir à Bahia e não comer o acarajé, bolinho frito com recheio de vatapá e camarão, é a mesma coisa que você viajar para Manaus e não experimentar o tacacá. Pois bem, com essa linha de raciocínio na cabeça, fui atrás do bendito. Já tinha comido acarajé duas vezes em Manaus e fiquei com aquela sensação  de que “poxa, é isso que é o acarajé?”, afinal você ouve tanto falar de uma coisa e suas expectativas só aumentam e a minha experiência em Manaus foi apenas OK. Para redimir essa impressão meia boca, fui com meus amigos e companheiros de viagem Carol e Vicente em busca do bolinho e achamos a barraca do Acarajé da Tânia, localizada em frente ao Farol da Barra, na avenida Oceânica.

Há duas opções de você comer o acarajé na Bahia: apenas com o recheio (vatapá e verduras) ou isso tudo acompanhado com camarão. Pagando apenas 1 real a mais (o valor final ficou em R$ 7,00) é claro que escolhi com camarão e pimenta, porque pimenta é amor. E ali começava a redenção do acarajé, ou ao menos parte dela. Não é que seja ruim, mas como falei antes, a gente ouve tanto falar sobre o acarajé que imagina uma explosão de sabores na sua boca, e daí quando eu finalmente provei o bolinho fiquei com aquela cara assim meio de paisagem. É claro que comparado ao acarajé que comi em Manaus, o acarajé da Bahia é uma versão 100% melhorada, o bolinho é crocante, o recheio é bem temperado, sem excessos, e o camarão é grande e delicioso, mas no geral, pra mim, o acarajé é apenas bom. Não senti tanto a ardência da pimenta, não sei se é porque eu adoro pimenta e já estou  acostumada às pimentas do Amazonas, mas no acarajé que eu comi, a pimenta passou batida.

O acarajé da Bahia. Foto: Carol Simermam

O acarajé da Bahia.  Foto: Carol Simermam

Depois do acarajé, a missão agora se desenrolava para ir atrás do que mais a Bahia podia me oferecer em termos gastronômicos. Há tanta opção de restaurantes e pratos que ainda que ficasse mais tempo, a falta de dinheiro não me permitiria provar tudo. Mas graças à dica de um colega do hostel onde estavámos hospedados, Rodrigo, conhecemos o combo breaker da comida baiana: o Restaurante de Gastronomia do Senac.

Restaurante Senac Pelourinho: combo breaker da culinária baiana Foto: Dirce Quintino

Restaurante Senac Pelourinho: combo breaker da culinária baiana Foto: Dirce Quintino

Localizado no epicentro do Pelourinho, na Praça José de Alencar, bem próximo à Fundação Jorge Amado, o Restaurante do Senac funciona como o serviço de buffet que abriga duas opções de cardápio. No térreo funciona o restaurante com pratos “normais” e é no primeiro andar que você encontra o ouro: diversos pratos da culinária baiana e sobremesas, com direito à repetição por apenas R$ 48,00. Depois de passar a manhã inteira caminhando pelo Centro Histórico de Salvador, já era quase duas horas da tarde quando fomos ao restaurante meio mortos de fome. Lugar bonito, de arquitetura histórica, ventilado e de excelente atendimento, o local é frequentado em sua maior parte por turistas que, assim como nós, estavam em busca do tempero baiano. Nas cubas, um mix de cores, com uma certa predominância do amarelo (seria o dendê?), já anunciava que estava por vir o melhor almoço da minha vida.

O paraíso da comida baiana. Foto: Dirce Quintino

O paraíso da comida baiana. Foto: Dirce Quintino

Fiquei um pouco confusa com tanta diversidade de moquecas, cozidos, arroz temperados, frutos do mar e farofas, mas escolhi um pouquinho de tudo, com exceção das coisas que eu já conhecia ou que levavam quiabo, porque realmente quiabo não é minha praia. E a a escolha  foi sendo feita, uma a uma, mesmo com um certo medo de me dar um retrocesso estomacal ocasionado pela mistura louca de comida pesada e condimentada. No primeiro round me servi de moquecas de lula, polvo, caranguejo, bolinho de acarajé, pirão, farofa, arroz simples e, é claro, vatapá. Todas as moquecas estavam deliciosas, mas o vatapá merece um destaque especial porque além do sabor forte, na medida certa, havia uma textura consistente, sem parecer um mingau de cremogema ou com granulações, e dissolvia-se  facilmente na boca. Vatapá da Bahia: amor eterno. ♡

Almoço dos campeões da fome. Foto: Dirce Quintino

Almoço dos campeões da fome. Foto: Dirce Quintino

Depois das fortes emoções que tive com o vatapá, era hora de respirar um pouco e resgatar forças para o segundo round da jornada, dessa vez com porções mais moderadas.

O repeteco. Foto: Dirce Quintino

O repeteco. Foto: Dirce Quintino

E para fechar meu caso de amor com a culinária baiana, era a hora de ir para as sobremesas. O restaurante dispõe de duas opções: frutas e doces. Claro que fiquei com a segunda opção, afinal, eu estava na Bahia e as frutas do buffet eu podia comer em Manaus, já os doces…Particularmente, não sou fissurada por doces, e numa tentativa de diminuir o peso na consciência por comer tanto, dividi com a Carol o bolinho de quindim e manjar, e as demais sobremesas peguei um colher rasa de cada.

Sobremesa: nunca te esquecerei. Foto: Dirce Quintino

Sobremesa: nunca te esquecerei. Foto: Dirce Quintino

A cocada baiana é sensacional. Normalmente, em Manaus, esse doce é quase um metamorfo da rapadura cearense, mas na Bahia ela adquire um aspecto molhado, onde é notável que o seu preparo foi feito com coco fresco e isso faz uma diferença incrivelmente deliciosa. A baba de moça, doce simples que carrega apenas leite e ovo na sua composição, lembrava um pudim de leite, com a diferença de ter uma consistência bem mais frágil, e foi essa doce fragilidade que me conquistou aquele sorriso derradeiro por ter acabado de comer o melhor almoço da minha vida.

E foi assim, sorrindo, por estar na Bahia, que terminou meu passeio gastronômico por um dos Estados mais ricos culturalmente do Brasil, mas em contrapartida, foi ali que começou um caso de muitas bocas com a maravilhosa culinária baiana.

Restaurante Senac Pelourinho

Endereço: Praça José de Alencar, nº 13/19 – Largo do Pelourinho – Salvador-BA – CEP: 40.025-140

Telefone: (71) 3324-8101

Fax: (71) 3324-8102


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